Por Liege de Oliveira
A Escola da Ponte tornou-se referência mundial em educação. A ausência de salas de aula, o aglomeramento de alunos por interesses em comuns e o professor orientando os trabalhos desenvolvidos por períodos de quinze dias constituem-se grandes atrativos para a escola fundada pelo português José Pacheco.
Intelectuais e profissionais da educação de todo o globo já visitaram a instituição. Seus emblemas libertários, revolucionários e solidários suscitam em pensadores o que a repetição desta experiência nos mais variados lugares poderia surtir muitos benefícios as populações.
O Brasil possui uma tendência compulsiva por importar modelos educacionais. Este foi o caso da aprovação automática instituído em alguns estados brasileiros. As controvérsias sobre a eficácia de tais modelos têm dividido educadores e servido até como repertório de campanha eleitoral de políticos da oposição.
O sucesso da Escola da Ponte não se encontra somente em suas inovações, mas no porquê inovou. Seu histórico informa que as reformas educacionais surgiram de necessidades e dificuldades constatadas no cotidiano escolar encontradas pelos professores e funcionários. Ao pensarem sobre a situação, foram propondo mudanças e instituíram o que hoje conhecemos por Escola da Ponte. E esta é a essência da lição da Escola da Ponte: pensar sobre a realidade, propor e realizar mudanças, não a metodologia adotada em si. Esta é só uma consequência.
Construir uma escola de nosso tempo, ou, como alguns preferem, a frente do nosso tempo, é tarefa árdua. Precisamos capitalizar recursos, dar autonomia e valorizar os profissionais e ferramentas para que a mudança possa acontecer.
O Brasil possui e já possuiu escolas que serviram eficazmente seu tempo. Um caso típico, foram as escolas que imigrantes alemães fundaram nos estados sulinos. Com as ferramentas e recursos que possuíam proveram as crianças o melhor que podiam em educação.
Assim, seu exemplo nos convida a criar com base na realidade que possuímos e não, simplesmente, testarmos ideias estrangeiras como se elas personificassem o ideal educacional.
Um olhar sensível sobre a História, a Literatura e a Educação constitui a razão de ser (é isso que significa Ratio Essendi) deste blog, que busca trazer além da opinião de autores conceituados, através de textos selecionados, as idéias daqueles que julgam ter muito a aprender e por isso procuram a cada dia construir conhecimentos sólidos nestes ramos do saber. Contato: liege_o@yahoo.com.br tafnecanto@yahoo.com.br
18 de outubro de 2010
6 de junho de 2010
Corte de verbas para a Educação em 2010
Confira os comentários de economistas da UNB sobre o corte de 1,3 bilhões de reais em Educação no programa Espaço Aberto da Globo News.
http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1597597-17665-383,00.html
http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1597597-17665-383,00.html
5 de junho de 2010
Volta às Aulas - Stephen Kanitz
Por Liege de Oliveira
No artigo “Volta às Aulas” Stephen Kanitz (clique no título para ler o artigo) aborda duas questões essenciais:
I – A habilidade essencial ao homem moderno que é de aprender a pensar. Para garantir a sobrevivência no mundo, precisamos aprender a pensar para tomar decisões. Essa habilidade o ajudará a alcançar o sucesso.
II – O apego do ensino brasileiro em estudar o que os grandes homens do passado escreveram, como se, seus livros, fossem a panacéia para todos os nossos problemas. O ensino deverá levar o estudante a pensar e observar a sua realidade.
Esta reflexão de Stephen Kanitz nos faz levantar algumas questões do atual quandro escolar brasileiro. Me parece injusto afirmar que ainda ensinamos como na Idade Média. Temos muitos exemplos de professores que buscam construir sua práxis pedagógica dentro de uma esfera que promova uma educação para o pensar.
No entanto, a sala de aula também está subordinada a uma política educacional, e, tanto na rede pública como na privada, o professor é mais pedreiro que arquiteto de sua prática. Aí percebemos que nem sempre é possível fazer mais. Quando cito isso, muitos acham um absurdo, mas a rotina, a burocracia, o currículo, as exigências, o Saresp, a Provinha Brasil são consumidoras da energia do professor (pobre peão!).
Mas todas as artimanhas do “sistema” não podem nos emaranhar, porque, afinal, sabemos que cabe ao professor apoderar-se o máximo possível da realidade e, assim, burlar a burocracia e todas as exigência postas ao docente e promover uma educação pensante. Como ajuda nesta trajetória, a psicologia metacognitivista tem balizado muitos profissionais na busca da didática que promova tal ideal.
O professor precisa estar ancorado em um referencial teórico para poder proceder adequadamente nesta empreitada. A psicologia metacognitivista, desenvolvida por John Flavell em meados dos anos 70 (vale lembrar que a teoria busca validação no campo científico), tem por pressuposto que
“[...] ao fazer uso da metacognição, o sujeito torna-se um espectador de seus próprios modos de pensar e das estratégias que emprega para resolver problemas, buscando identificar como aprimorá-los. Nesse sentido, e tal como postula Flavell (1976), metacognição envolve também monitoramento ativo dos processos de pensamento, regulando-os e orquestrando-os para alcançar um determinado objetivo. Esse autor aponta dois componentes centrais nesse conceito: os conhecimentos metacognitivos e as experiências metacognitivas.” (DAVIS, 2005)
Assim sendo, a educação poderia obter muito mais de seus alunos, se estes, fossem gestores do próprio saber, trilhando o caminho da aprendizagem, possuindo consciência de como o conhecimento é produzido e processado organicamente. Davis (2005) diz ainda que
“Fica patente, então, que a metacognição é aspecto central na implementação de uma cultura do pensamento, uma vez que é por seu intermédio que se pode: construir conhecimentos e habilidades que tenham maior possibilidade de sucesso e de transferência; aprender estratégias de solução de problemas que sejam passíveis de serem auto-reguladas; adquirir autonomia na gestão das tarefas e nas aprendizagens, auto-regulando-se e se auto-ajudando; construir uma auto-imagem de aprendiz produtivo e, com isso, obter motivação para aprender.”
Concluo salientando que o professor precisa munir-se da compreensão do desenvolvimento humano para, assim, promover uma educação que estimule o pensamento e a autonomia.
Para ampliar o assunto, acesse:
Livro em português de John Flavell. http://www.tudomercado.com.br/tm/aviso/img_avisos/Submarino_21236.jpg
Artigo interessantíssimo sobre Metacognição e estratégias de aprendizagem ddo Grupo de Estudos de Aprendizagem e cognição. http://www.geac.ufrj.br/index.php?option=com_content&task=view&id=57&Itemid=81
Bibliografia:
DAVIS, Claudia. NUNES, Marina M. R. NUNES, Cesar A. A. M etacognição e sucesso escolar: articulando teoria e prática. Cadernos de Pesquisa, vol.35, no.125. São Paulo: maio-agosto, 2005.
No artigo “Volta às Aulas” Stephen Kanitz (clique no título para ler o artigo) aborda duas questões essenciais:
I – A habilidade essencial ao homem moderno que é de aprender a pensar. Para garantir a sobrevivência no mundo, precisamos aprender a pensar para tomar decisões. Essa habilidade o ajudará a alcançar o sucesso.
II – O apego do ensino brasileiro em estudar o que os grandes homens do passado escreveram, como se, seus livros, fossem a panacéia para todos os nossos problemas. O ensino deverá levar o estudante a pensar e observar a sua realidade.
Esta reflexão de Stephen Kanitz nos faz levantar algumas questões do atual quandro escolar brasileiro. Me parece injusto afirmar que ainda ensinamos como na Idade Média. Temos muitos exemplos de professores que buscam construir sua práxis pedagógica dentro de uma esfera que promova uma educação para o pensar.
No entanto, a sala de aula também está subordinada a uma política educacional, e, tanto na rede pública como na privada, o professor é mais pedreiro que arquiteto de sua prática. Aí percebemos que nem sempre é possível fazer mais. Quando cito isso, muitos acham um absurdo, mas a rotina, a burocracia, o currículo, as exigências, o Saresp, a Provinha Brasil são consumidoras da energia do professor (pobre peão!).
Mas todas as artimanhas do “sistema” não podem nos emaranhar, porque, afinal, sabemos que cabe ao professor apoderar-se o máximo possível da realidade e, assim, burlar a burocracia e todas as exigência postas ao docente e promover uma educação pensante. Como ajuda nesta trajetória, a psicologia metacognitivista tem balizado muitos profissionais na busca da didática que promova tal ideal.
O professor precisa estar ancorado em um referencial teórico para poder proceder adequadamente nesta empreitada. A psicologia metacognitivista, desenvolvida por John Flavell em meados dos anos 70 (vale lembrar que a teoria busca validação no campo científico), tem por pressuposto que
“[...] ao fazer uso da metacognição, o sujeito torna-se um espectador de seus próprios modos de pensar e das estratégias que emprega para resolver problemas, buscando identificar como aprimorá-los. Nesse sentido, e tal como postula Flavell (1976), metacognição envolve também monitoramento ativo dos processos de pensamento, regulando-os e orquestrando-os para alcançar um determinado objetivo. Esse autor aponta dois componentes centrais nesse conceito: os conhecimentos metacognitivos e as experiências metacognitivas.” (DAVIS, 2005)
Assim sendo, a educação poderia obter muito mais de seus alunos, se estes, fossem gestores do próprio saber, trilhando o caminho da aprendizagem, possuindo consciência de como o conhecimento é produzido e processado organicamente. Davis (2005) diz ainda que
“Fica patente, então, que a metacognição é aspecto central na implementação de uma cultura do pensamento, uma vez que é por seu intermédio que se pode: construir conhecimentos e habilidades que tenham maior possibilidade de sucesso e de transferência; aprender estratégias de solução de problemas que sejam passíveis de serem auto-reguladas; adquirir autonomia na gestão das tarefas e nas aprendizagens, auto-regulando-se e se auto-ajudando; construir uma auto-imagem de aprendiz produtivo e, com isso, obter motivação para aprender.”
Concluo salientando que o professor precisa munir-se da compreensão do desenvolvimento humano para, assim, promover uma educação que estimule o pensamento e a autonomia.
Para ampliar o assunto, acesse:
Livro em português de John Flavell. http://www.tudomercado.com.br/tm/aviso/img_avisos/Submarino_21236.jpg
Artigo interessantíssimo sobre Metacognição e estratégias de aprendizagem ddo Grupo de Estudos de Aprendizagem e cognição. http://www.geac.ufrj.br/index.php?option=com_content&task=view&id=57&Itemid=81
Bibliografia:
DAVIS, Claudia. NUNES, Marina M. R. NUNES, Cesar A. A. M etacognição e sucesso escolar: articulando teoria e prática. Cadernos de Pesquisa, vol.35, no.125. São Paulo: maio-agosto, 2005.
Por trás de tudo...
Por Liege de Oliveira
Desde a infância ouvimos nos noticiários (ou, da boca de nossos próprios professores) que a greve viria. O magistério não é a única classe que se organiza para tal: bancários, motoristas, metalúrgicos, servidores públicos e outros mais tem encabeçado a fileira dos descontentados com o holerite.
Neste mês de março, novamente foi a vez dos professores do Estado de São Paulo se unirem para contestarem algumas velhas práticas do governo e exigirem condições mais favoráveis de trabalhos e construção de um plano de carreira.
A greve, porém, não é uma invenção da última metade do século XX, ela já nos acompanha desde o século XIX. No texto abaixo, Luciano Oliveira, professor da UFPE faz um rápido histórico de como os operários passaram a utilizar este recurso em suas lutas por melhores condições trabalhistas.
Texto I – Uma brevíssima história da Greve
(...)
A palavra greve tem também um percurso interessante. No início ela significava simplesmente um tipo de arbusto existente nas margens do rio Sena, em Paris. Em francês, grève. Num terreno contíguo a uma dessas margens, formou-se uma praça, que veio a ser designada como Place de Grève. A praça tornou-se um local onde se juntavam trabalhadores sem emprego em busca de alguma ocupação. Quando os parisienses precisavam de algum trabalhador, iam lá atrás dessa mão-de-obra. Daí surgiram expressões como "ir a greve" (aller en grève), "estar em greve" (être en grève) e outros correlatos, para designar o trabalhador que, sem trabalho, lá ficava de braços cruzados sem ter o que fazer.
Tudo isso é muito antigo, remontando á época medieval, e a praça tem uma longa e até tenebrosa história. Basta dizer em que entre o século XV e finais do século XVIII serviu de palco para as execuções capitais, que na época eram públicas e, não raro, atrozes. Em 1806, mudou o nome para Place de l´Hôtel de Ville, porque ali se edificou o que ainda hoje é um dos mais belos prédios de Paris, a prefeitura da cidade. Mas a palavra grève não desapareceu, continuou sendo utilizada com um novo sentido, ainda que guardando algo do significado anterior: a atitude de estar de braços cruzados.
Já era o século XIX e o movimento operário tinha surgido. Eram tempos duros, aqueles. Completamente desregulado, o capitalismo submetia os trabalhadores a uma exploração tão brutal que o revolucionário Engels, no livro A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, observou (bem antes de Gilberto Freyre, autor de idêntica observação...) que as condições de vida dos escravos nas Américas eram mais amenas do que aquelas dos assalariados europeus na época da revolução industrial. Nessas condições, vez por outra os trabalhadores cruzavam os braços e se recusavam a trabalhar, exigindo melhorias na sua condição. Recuperando o antigo termo, começou-se a dizer que eles estavam en grève... E foi assim que surgiu a greve.
Nesse tempo, cruzar os braços não era nenhum piquenique. A brutalidade dos patrões e da polícia não se fazia de rogada. Numa época em que o Estado não fazia nenhuma questão de desmentir a acusação marxista de ser o "comitê executivo da burguesia", a repressão se fazia de forma escancarada. Prisões, demissões, espancamentos, "listas negras", deportações - esse foi o lote de provações que o movimento operário nascente teve de enfrentar no duro trabalho de parto que foi o seu. Basta lembrar que só em 1884 uma lei francesa autorizou os trabalhadores a constituírem sindicatos. Antes disso, qualquer tentativa de organização da classe era considerada um atentado à "liberdade do trabalho", e, portanto duramente reprimida.
Fonte: http://www.lainsignia.org/2008/marzo/soc_005.htm . Luciano Oliveira. Retirado do site no dia 28/03/2010
No Brasil, estas manifestações trabalhistas começaram a ocorrer no início do século XX. São Paulo, em 1917, estreou a primeira grande greve no país. Atente ao texto II:
Texto II – São Paulo, 1917: A Primeira grande greve brasileira
(...)
A primeiro grande movimento grevista da história sindical no Brasil que paralisou a cidade de São Paulo em 1917, iniciou-se com greves localizadas em fábricas têxteis, ainda no mês de junho nos bairros da Moóca e do Ipiranga. Os líderes grevistas reivindicavam melhores salários e melhores condições de trabalho, além da exigência de supressão da contribuição "pró-pátria" (campanha de apoio financeiro à Itália, desenvolvida pela burguesia imigrante de São Paulo, chegando até a fazer descontos dos salários dos trabalhadores, como foi o caso do Cortonifício Crespi).
As manifestações de rua foram duramente reprimidas pela polícia, culminando com o assassinato do sapateiro anarquista Antonio Martínez. Durante um mês a cidade de São Paulo viveu a agitação dos comitês de greves, que apesar de mostrar uma considerável capacidade de mobilização do operariado, não serviram para sensibilizar o Estado.
Ao longo de toda República Velha (1889-1930) os governos oligárquicos tratavam a questão social como "caso de polícia", preferindo assim, adotar medidas arbitrárias, como espancamento e prisão das lideranças grevistas e expulsão dos estrangeiros do país.
Apesar da forte repressão, o movimento grevista liderado pelo sindicalismo de inspiração anarquista e com a participação maciça de imigrantes italianos e espanhóis, estendeu-se praticamente até 1919 para várias regiões do território brasileiro.
Se por um lado as greves não alcançaram seus objetivos mais imediatos, certamente contribuíram para promover debates no meio operário sobre os rumos do movimento sindical.
Colocando em crise a ideologia anarquista, as greves de 1917 foram decisivas para o crescente avanço dos ideais socialistas, e para formação do Centro Comunista do Rio de Janeiro em 1921, que antecedeu a fundação do Partido Comunista Brasileiro no ano seguinte.
No cenário internacional, a transição do anarquismo para o socialismo é consolidada sobretudo, após a vitoriosa Revolução Bolchevista na Rússia, que inaugurou o primeiro Estado socialista da História sob o comando de Lênin. O líder revolucionário assumia o poder em novembro de 1917, após comandar, no exílio, a corrente bolchevista dos socialistas russos. É nesse contexto que cresce a influência da doutrina socialista no meio operário, contribuindo para uma ampla difusão do marxismo pelo mundo, até o final dos anos 80 que assinalam a crise do socialismo stalinista.
Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=55 . Retirado do site no dia 28/03/2010
Funeral de Martínez. Fonte: Wikipédia
Algumas considerações
A exploração da classe dominante sempre foi a mola propulsora das manifestações trabalhistas. Historicamente temos presenciado uma injusta distribuição de renda, fazendo de uns ricos às custas da miséria da maioria.
A luta da classe explorada é justa. “O trabalhador é digno do seu salário” (Lucas 10:7), esta foi uma máxima de Jesus. Todos possuem o direito de trabalhar e receber um salário digno que lhes possibilite o sustento. Este quadro, contudo, é muito mais antigo que o surgimento do capitalismo e da industrialização. Nos tempos bíblicos, como, por exemplo, nos tempos de José, os judeus já sofriam com a dura exploração dos egípcios.
Só que nem só de justas reivindicações constitui-se uma greve. Edward Carr já nos adverte em sua o obra, O que é História?, sobre a possibilidade de manipularmos fatos verdadeiros para embasarmos e defendermos a visão que pretendemos legitimar.
É notório que em anos de eleições a luta partidária instaura-se de forma mais agressiva entre a população, e, em greves como a da classe dos professores, categoria tão próxima do povo, percebe-se uma significativa sensibilização de todos em prol dos professores. Se há mocinhos, há vilões. E, na caça aos culpados, não considera-se que o indivíduo que está no governo não é totalmente culpado por anos de descaso na educação (o que, de forma alguma, o isenta de ter melhorado as condições nos quatro de exercício da gestão pública).
Isso é facilmente demonstrado pelas acusações da Apeoesp ao Governo Serra no site institucional do sindicato, como mostrado na reprodução abaixo:

A Apeoesp é filiada à CUT e a CNTE, típicas entidades da esquerda brasileira. Não procuro isentar José Serra pelas condições precárias de trabalho e pisos salariais do magistério, mas, a clara intenção socialista se manifesta neste tipo de atitude. O próprio presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro, sem muitos apontamentos biográficos na rede, nos possibilita traçar seu perfil marxista. Em um site encontramos o seguinte artigo:
Texto III - Cuba, os trabalhadores e o socialismo
Por Carlos Ramiro de Castro
Como ex-aluno da Escola Sindical Lázaro Peña, fui convidado para o encontro em homenagem ao combativo lutador em Havana, participando ao lado de dirigentes sindicais de 153 países das comemorações dos 70 anos da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), do ato de solidariedade à Ilha Caribenha e do gigantesco 1º de Maio na Praça da Revolução.
O que mais me impressionou foi ver em todos os locais por onde passei o contentamento do povo cubano, sua alegria com o desenvolvimento - econômico e social - que o país vem tendo no último período. A vibração contrasta com as imensas dificuldades enfrentadas durante o período especial nos anos 90, após o desaparecimento da União Soviética, que potencializou os problemas impostos pelo criminoso bloqueio norte-americano, que impede até mesmo a chegada de medicamentos.
Estive na Ilha durante aquele período e, confesso, sai bastante temeroso sobre o seu futuro, diante do agravamento das condições de vida imposto pela falta generalizada de produtos, antes comercializados de forma mais equitativa com os países do bloco socialista via CAME (Conselho de Ajuda Mútua Econômica). Realmente, pelo tamanho dos problemas, acredito que outro povo não teria resistido a tamanha pressão e teria sucumbido.
Felizmente, aqueles dias são hoje uma página virada, um obstáculo ultrapassado. Tal superação fortaleceu ainda mais a firmeza do povo cubano, sua crença na afirmação dos princípios e valores da sua revolução, que segue adiante.
Hoje, quando a crise internacional do capitalismo multiplica demissões e a deterioração das condições de vida e trabalho de centenas de milhões de pessoas pelo mundo todo, Cuba se mantém firme, consolidando o socialismo e os mais caros valores da Humanidade: a solidariedade, o desprendimento, a consciência, a crença na capacidade dos trabalhadores e construírem um mundo melhor.
Na capital, vi uma cidade em obras, com bairros residenciais sendo recuperados, com gente bonita e bem vestida, confiante, contrastando com a desesperança e a dura realidade vivida hoje no centro do capitalismo.
Coincidentemente, estava sendo realizada em Havana a Conferência dos Países Não-Alinhados, em que falou mais alto a unidade na diversidade contra a política neoliberal, com a afirmação da necessidade de uma Nova Ordem Internacional e de relações mais humanas de convivência. Particularmente entre os latino-americanos, ficou clara a identidade de propostas e linhas de ação dos distintos governos de esquerda, que têm se pautado por construir uma agenda alternativa de afirmação da soberania nacional, contra a herança dos seguidores do Consenso de Washington: privatista, de exclusão, arrocho e desemprego.
Do ponto de vista do movimento sindical, reforçamos nesses dias de intenso e caloroso convívio, o compromisso com a luta pela unidade dos movimentos sociais, partidos e governos de esquerda de afirmar saídas reais para a crise, condenando as novas roupagens com que o capitalismo usa para manter velhas práticas. Nossa ação contempla o fortalecimento e a democratização do Estado, o combate à exploração e às injustiças, o protagonismo da classe para a construção de um novo mundo.
Posso dizer que os dias de visita me renovaram, fortalecendo ainda mais minha convicção na necessidade de priorizarmos a formação política e ideológica dos nossos dirigentes e militantes, para que não só sepultemos o atual modelo de exploração, como construamos, com participação, garra e consciência, o caminho para o socialismo. Afinal, como dizem os cubanos, “uma vida humana vale mais do que todas as propriedades privadas do mundo”.
Fonte: http://www.agenciasindical.com.br/Boletim%20eletr%F4nico/BE%20110509.html . Retirado no dia 28/03/2010. Texto publicado no dia 11 de maio de 2009.
O texto, praticamente um ode de louvor ao regime cubano, transparece o desejo de implantação de um governo socialista no Brasil. E o caminho para tal é começar pelo desgaste da imagem dos políticos de direita.
Por tudo isso, não revogo minha crença que o trabalhador é digno de seu salário e que o salário também deve ser digno do trabalhador. O trabalhador deve impor-se de alguma forma para garantir seus direitos. Por outro lado, como servidora pública, não me engajo em lutas reforçadoras do marxismo, do socialismo. São roupagens de cordeiro, mas, que na prática, não asseguram a verdadeira liberdade humana.
Desde a infância ouvimos nos noticiários (ou, da boca de nossos próprios professores) que a greve viria. O magistério não é a única classe que se organiza para tal: bancários, motoristas, metalúrgicos, servidores públicos e outros mais tem encabeçado a fileira dos descontentados com o holerite.
Neste mês de março, novamente foi a vez dos professores do Estado de São Paulo se unirem para contestarem algumas velhas práticas do governo e exigirem condições mais favoráveis de trabalhos e construção de um plano de carreira.
A greve, porém, não é uma invenção da última metade do século XX, ela já nos acompanha desde o século XIX. No texto abaixo, Luciano Oliveira, professor da UFPE faz um rápido histórico de como os operários passaram a utilizar este recurso em suas lutas por melhores condições trabalhistas.
Texto I – Uma brevíssima história da Greve
(...)
A palavra greve tem também um percurso interessante. No início ela significava simplesmente um tipo de arbusto existente nas margens do rio Sena, em Paris. Em francês, grève. Num terreno contíguo a uma dessas margens, formou-se uma praça, que veio a ser designada como Place de Grève. A praça tornou-se um local onde se juntavam trabalhadores sem emprego em busca de alguma ocupação. Quando os parisienses precisavam de algum trabalhador, iam lá atrás dessa mão-de-obra. Daí surgiram expressões como "ir a greve" (aller en grève), "estar em greve" (être en grève) e outros correlatos, para designar o trabalhador que, sem trabalho, lá ficava de braços cruzados sem ter o que fazer.
Tudo isso é muito antigo, remontando á época medieval, e a praça tem uma longa e até tenebrosa história. Basta dizer em que entre o século XV e finais do século XVIII serviu de palco para as execuções capitais, que na época eram públicas e, não raro, atrozes. Em 1806, mudou o nome para Place de l´Hôtel de Ville, porque ali se edificou o que ainda hoje é um dos mais belos prédios de Paris, a prefeitura da cidade. Mas a palavra grève não desapareceu, continuou sendo utilizada com um novo sentido, ainda que guardando algo do significado anterior: a atitude de estar de braços cruzados.
Já era o século XIX e o movimento operário tinha surgido. Eram tempos duros, aqueles. Completamente desregulado, o capitalismo submetia os trabalhadores a uma exploração tão brutal que o revolucionário Engels, no livro A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, observou (bem antes de Gilberto Freyre, autor de idêntica observação...) que as condições de vida dos escravos nas Américas eram mais amenas do que aquelas dos assalariados europeus na época da revolução industrial. Nessas condições, vez por outra os trabalhadores cruzavam os braços e se recusavam a trabalhar, exigindo melhorias na sua condição. Recuperando o antigo termo, começou-se a dizer que eles estavam en grève... E foi assim que surgiu a greve.
Nesse tempo, cruzar os braços não era nenhum piquenique. A brutalidade dos patrões e da polícia não se fazia de rogada. Numa época em que o Estado não fazia nenhuma questão de desmentir a acusação marxista de ser o "comitê executivo da burguesia", a repressão se fazia de forma escancarada. Prisões, demissões, espancamentos, "listas negras", deportações - esse foi o lote de provações que o movimento operário nascente teve de enfrentar no duro trabalho de parto que foi o seu. Basta lembrar que só em 1884 uma lei francesa autorizou os trabalhadores a constituírem sindicatos. Antes disso, qualquer tentativa de organização da classe era considerada um atentado à "liberdade do trabalho", e, portanto duramente reprimida.
Fonte: http://www.lainsignia.org/2008/marzo/soc_005.htm . Luciano Oliveira. Retirado do site no dia 28/03/2010
No Brasil, estas manifestações trabalhistas começaram a ocorrer no início do século XX. São Paulo, em 1917, estreou a primeira grande greve no país. Atente ao texto II:
Texto II – São Paulo, 1917: A Primeira grande greve brasileira
(...)
A primeiro grande movimento grevista da história sindical no Brasil que paralisou a cidade de São Paulo em 1917, iniciou-se com greves localizadas em fábricas têxteis, ainda no mês de junho nos bairros da Moóca e do Ipiranga. Os líderes grevistas reivindicavam melhores salários e melhores condições de trabalho, além da exigência de supressão da contribuição "pró-pátria" (campanha de apoio financeiro à Itália, desenvolvida pela burguesia imigrante de São Paulo, chegando até a fazer descontos dos salários dos trabalhadores, como foi o caso do Cortonifício Crespi).
As manifestações de rua foram duramente reprimidas pela polícia, culminando com o assassinato do sapateiro anarquista Antonio Martínez. Durante um mês a cidade de São Paulo viveu a agitação dos comitês de greves, que apesar de mostrar uma considerável capacidade de mobilização do operariado, não serviram para sensibilizar o Estado.
Ao longo de toda República Velha (1889-1930) os governos oligárquicos tratavam a questão social como "caso de polícia", preferindo assim, adotar medidas arbitrárias, como espancamento e prisão das lideranças grevistas e expulsão dos estrangeiros do país.
Apesar da forte repressão, o movimento grevista liderado pelo sindicalismo de inspiração anarquista e com a participação maciça de imigrantes italianos e espanhóis, estendeu-se praticamente até 1919 para várias regiões do território brasileiro.
Se por um lado as greves não alcançaram seus objetivos mais imediatos, certamente contribuíram para promover debates no meio operário sobre os rumos do movimento sindical.
Colocando em crise a ideologia anarquista, as greves de 1917 foram decisivas para o crescente avanço dos ideais socialistas, e para formação do Centro Comunista do Rio de Janeiro em 1921, que antecedeu a fundação do Partido Comunista Brasileiro no ano seguinte.
No cenário internacional, a transição do anarquismo para o socialismo é consolidada sobretudo, após a vitoriosa Revolução Bolchevista na Rússia, que inaugurou o primeiro Estado socialista da História sob o comando de Lênin. O líder revolucionário assumia o poder em novembro de 1917, após comandar, no exílio, a corrente bolchevista dos socialistas russos. É nesse contexto que cresce a influência da doutrina socialista no meio operário, contribuindo para uma ampla difusão do marxismo pelo mundo, até o final dos anos 80 que assinalam a crise do socialismo stalinista.
Fonte: http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=55 . Retirado do site no dia 28/03/2010
Funeral de Martínez. Fonte: Wikipédia
Algumas considerações
A exploração da classe dominante sempre foi a mola propulsora das manifestações trabalhistas. Historicamente temos presenciado uma injusta distribuição de renda, fazendo de uns ricos às custas da miséria da maioria.
A luta da classe explorada é justa. “O trabalhador é digno do seu salário” (Lucas 10:7), esta foi uma máxima de Jesus. Todos possuem o direito de trabalhar e receber um salário digno que lhes possibilite o sustento. Este quadro, contudo, é muito mais antigo que o surgimento do capitalismo e da industrialização. Nos tempos bíblicos, como, por exemplo, nos tempos de José, os judeus já sofriam com a dura exploração dos egípcios.
Só que nem só de justas reivindicações constitui-se uma greve. Edward Carr já nos adverte em sua o obra, O que é História?, sobre a possibilidade de manipularmos fatos verdadeiros para embasarmos e defendermos a visão que pretendemos legitimar.
É notório que em anos de eleições a luta partidária instaura-se de forma mais agressiva entre a população, e, em greves como a da classe dos professores, categoria tão próxima do povo, percebe-se uma significativa sensibilização de todos em prol dos professores. Se há mocinhos, há vilões. E, na caça aos culpados, não considera-se que o indivíduo que está no governo não é totalmente culpado por anos de descaso na educação (o que, de forma alguma, o isenta de ter melhorado as condições nos quatro de exercício da gestão pública).
Isso é facilmente demonstrado pelas acusações da Apeoesp ao Governo Serra no site institucional do sindicato, como mostrado na reprodução abaixo:

A Apeoesp é filiada à CUT e a CNTE, típicas entidades da esquerda brasileira. Não procuro isentar José Serra pelas condições precárias de trabalho e pisos salariais do magistério, mas, a clara intenção socialista se manifesta neste tipo de atitude. O próprio presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro, sem muitos apontamentos biográficos na rede, nos possibilita traçar seu perfil marxista. Em um site encontramos o seguinte artigo:
Texto III - Cuba, os trabalhadores e o socialismo
Por Carlos Ramiro de Castro
Como ex-aluno da Escola Sindical Lázaro Peña, fui convidado para o encontro em homenagem ao combativo lutador em Havana, participando ao lado de dirigentes sindicais de 153 países das comemorações dos 70 anos da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), do ato de solidariedade à Ilha Caribenha e do gigantesco 1º de Maio na Praça da Revolução.
O que mais me impressionou foi ver em todos os locais por onde passei o contentamento do povo cubano, sua alegria com o desenvolvimento - econômico e social - que o país vem tendo no último período. A vibração contrasta com as imensas dificuldades enfrentadas durante o período especial nos anos 90, após o desaparecimento da União Soviética, que potencializou os problemas impostos pelo criminoso bloqueio norte-americano, que impede até mesmo a chegada de medicamentos.
Estive na Ilha durante aquele período e, confesso, sai bastante temeroso sobre o seu futuro, diante do agravamento das condições de vida imposto pela falta generalizada de produtos, antes comercializados de forma mais equitativa com os países do bloco socialista via CAME (Conselho de Ajuda Mútua Econômica). Realmente, pelo tamanho dos problemas, acredito que outro povo não teria resistido a tamanha pressão e teria sucumbido.
Felizmente, aqueles dias são hoje uma página virada, um obstáculo ultrapassado. Tal superação fortaleceu ainda mais a firmeza do povo cubano, sua crença na afirmação dos princípios e valores da sua revolução, que segue adiante.
Hoje, quando a crise internacional do capitalismo multiplica demissões e a deterioração das condições de vida e trabalho de centenas de milhões de pessoas pelo mundo todo, Cuba se mantém firme, consolidando o socialismo e os mais caros valores da Humanidade: a solidariedade, o desprendimento, a consciência, a crença na capacidade dos trabalhadores e construírem um mundo melhor.
Na capital, vi uma cidade em obras, com bairros residenciais sendo recuperados, com gente bonita e bem vestida, confiante, contrastando com a desesperança e a dura realidade vivida hoje no centro do capitalismo.
Coincidentemente, estava sendo realizada em Havana a Conferência dos Países Não-Alinhados, em que falou mais alto a unidade na diversidade contra a política neoliberal, com a afirmação da necessidade de uma Nova Ordem Internacional e de relações mais humanas de convivência. Particularmente entre os latino-americanos, ficou clara a identidade de propostas e linhas de ação dos distintos governos de esquerda, que têm se pautado por construir uma agenda alternativa de afirmação da soberania nacional, contra a herança dos seguidores do Consenso de Washington: privatista, de exclusão, arrocho e desemprego.
Do ponto de vista do movimento sindical, reforçamos nesses dias de intenso e caloroso convívio, o compromisso com a luta pela unidade dos movimentos sociais, partidos e governos de esquerda de afirmar saídas reais para a crise, condenando as novas roupagens com que o capitalismo usa para manter velhas práticas. Nossa ação contempla o fortalecimento e a democratização do Estado, o combate à exploração e às injustiças, o protagonismo da classe para a construção de um novo mundo.
Posso dizer que os dias de visita me renovaram, fortalecendo ainda mais minha convicção na necessidade de priorizarmos a formação política e ideológica dos nossos dirigentes e militantes, para que não só sepultemos o atual modelo de exploração, como construamos, com participação, garra e consciência, o caminho para o socialismo. Afinal, como dizem os cubanos, “uma vida humana vale mais do que todas as propriedades privadas do mundo”.
Fonte: http://www.agenciasindical.com.br/Boletim%20eletr%F4nico/BE%20110509.html . Retirado no dia 28/03/2010. Texto publicado no dia 11 de maio de 2009.
O texto, praticamente um ode de louvor ao regime cubano, transparece o desejo de implantação de um governo socialista no Brasil. E o caminho para tal é começar pelo desgaste da imagem dos políticos de direita.
Por tudo isso, não revogo minha crença que o trabalhador é digno de seu salário e que o salário também deve ser digno do trabalhador. O trabalhador deve impor-se de alguma forma para garantir seus direitos. Por outro lado, como servidora pública, não me engajo em lutas reforçadoras do marxismo, do socialismo. São roupagens de cordeiro, mas, que na prática, não asseguram a verdadeira liberdade humana.
2 de abril de 2010
Like a Samurai
Ontem , imensamente feliz pela chegada do feriado, aconcheguei-me no sofá para assistir ao talk show da Oprah. Lá a apresentadora que costuma entrevistar artistas, escritores, produtores cinematográficos, trazendo toda a sorte de novidades, desta vez entrevistava uma adolescente cuja vida não é nada fácil.
A menina Veronica, que brilha na escola com boas notas e dedicação, em casa enfrenta a dura realidade de ver a mãe e o irmão viciados em medicamentos. Completamente alienados, longe da sociedade, soltaram o volante de suas vidas e de sua família. Sem qualquer acompanhamento ou orientação por parte da família, a escola tornou-se o oásis de Veronica. Apesar de muito jovem, assumiu as responsabilidades que seriam de seus pais. A maturidade e a força que a adolescente demonstrou durante toda a entrevista, levou um médico que participava do programa a dizer: “Veronica is like a samurai”.
Um samurai se fortalece com as batalhas, cresce aprende com cada uma delas e por este motivo a garota foi comparada com um guerreiro. A história de Veronica é extraordinária, tal como a minha e a sua. Se você enfrenta suas batalhas corajosamente, não se esconde atrás dos problemas, não usa as dificuldades sofridas na infância como escusas, você também é como um samurai. Alguém que entende que pode tirar o melhor de cada situação, que reconhece seu valor como ser humano independente de qualquer rejeição. Eu e você, também somos como um samurai.
A menina Veronica, que brilha na escola com boas notas e dedicação, em casa enfrenta a dura realidade de ver a mãe e o irmão viciados em medicamentos. Completamente alienados, longe da sociedade, soltaram o volante de suas vidas e de sua família. Sem qualquer acompanhamento ou orientação por parte da família, a escola tornou-se o oásis de Veronica. Apesar de muito jovem, assumiu as responsabilidades que seriam de seus pais. A maturidade e a força que a adolescente demonstrou durante toda a entrevista, levou um médico que participava do programa a dizer: “Veronica is like a samurai”.
Um samurai se fortalece com as batalhas, cresce aprende com cada uma delas e por este motivo a garota foi comparada com um guerreiro. A história de Veronica é extraordinária, tal como a minha e a sua. Se você enfrenta suas batalhas corajosamente, não se esconde atrás dos problemas, não usa as dificuldades sofridas na infância como escusas, você também é como um samurai. Alguém que entende que pode tirar o melhor de cada situação, que reconhece seu valor como ser humano independente de qualquer rejeição. Eu e você, também somos como um samurai.
7 de fevereiro de 2010
Avaliação Educacional
Por Tafnes do Canto
Os métodos avaliativos tem sido alvo de debate da pedagogia ao longo dos últimos anos. Educadores e educadoras preocupam-se em relação a melhor forma de medir o desempenho dos estudantes. E é neste ponto que percebemos o equívoco que tem fomentado tais querelas. Os métodos avaliativos podem ser mais funcionais quando entendidos por uma perspectiva justamente oposta. A avaliação não é a hora do ajuste de contas ou de colocar os estudantes na berlinda como se vê em muitas salas de aula.
Uma visão adequada de avaliação leva os professores a fazerem uso dos instrumentos avaliativos para diagnosticar as dificuldades dos estudantes, bem como para perceber quais habilidades e competências foram desenvolvidas. Neste ponto de vista, a avaliação servirá para indicar a necessidade de uma mudança de rumo, nas práticas pedagógicas sempre que os objetivos não forem alcançados. Ainda poderá tranquilizar a todos quando a avaliação demonstrar que o estudante aprendeu.
Mesmo com os muitos estudos realizados na área de pedagogia, a avaliação somativa, oriunda dos métodos tecnicistas, permanece sendo amplamente empregada nas instituições de ensino. Porém, no sentido de que a avaliação é um meio para o professor e não um fim em si para o estudante - como explicitamos anteriormente – a avaliação somativa deveria dar lugar a avaliação formativa.
Esta forma de avaliar – com critérios bem definidos e instrumentos coerentes com os objetivos - propõe-se a perceber e valorizar o crescimento do estudante ao longo do processo de aprendizagem.
Uma boa sugestão de recurso para a realização de uma avaliação abrangente são os portfólios, nos quais os estudantes armazenam as atividades, relatórios de aula, reportagens, desenhos ou outras produções independentes relacionadas ao tema abordado. O portfólio passa a ser mais do que um simples porta-folha para representar o conhecimento construído ao longo do processo de ensino-aprendizagem que se pretende avaliar.
22 de agosto de 2009
Vida por Vidas
Quando se trata de educação integral, sempre falamos do desenvolvimento pleno das faculdades físicas, mentais e espirituais do individuo. Este processo não começa e nem termina na escola. Inicia-se no dia que o ser humano nasce e se estende por toda a sua vida.
Uma educação integral sempre prezará pela competência em relacionar-se com o próximo e atentar para as necessidades que temos como sociedade. É exatamente neste ponto que o Projeto Vida por Vidas, uma campanha, aqui no RS, promovida pela AGUA – Agremiação Gaúcha dos Universitários Adventistas – atua de maneira plena, desempenhando seu papel social.
No próximo dia 29 de agosto, será colocada a disposição de 2500 cidadãos a oportunidade de cadastrar-se no banco de doadores de medula óssea. O evento ocorrerá no Mc`Donalds em Novo Hamburgo – RS. Cadastrar-se como doador de medula óssea é um gesto simples que pode transformar uma vida. Pense nisto!
21 de agosto de 2009
Educação à Distância

A terminologia ensino à distância e educação à distância denota diferença de conceitos. O primeiro termo não abrange o aprender do estudante e do professor, apenas indica um ato unilateral da função docente: ensinar, transmitir conhecimento. Por outro lado, a nomenclatura educação à distância é mais abrangente, indicando a formação do individuo.
A educação à distancia é aquela em que as aulas ocorrem de modo majoritariamente não-presencial, com algumas horas obrigatoriamente em sala de aula. Dentro deste módulo de ensino existem diferentes abordagens, há ensinos à distancia oferecidos por transmissões de satélites ou com plataformas virtuais, nas quais professores e estudantes interagem por meio de fóruns, pesquisas, blog, chat, entre outras ferramentas disponíveis.
Belloni, professora na Universidade Federal de Santa Catarina, estudiosa dos processo de educação à distancia explica que esta pode ser entendida “como parte de um processo de inovação educacional mais amplo que é a integração das novas tecnologias de informação e comunicação nos processos educacionais” (2002, p.123) .
Certamente muitas das ferramentas criadas para a educação à distancia poderiam otimizar até mesmo o ensino regular, aproximando pedagogia e tecnologia - a linguagem falada pelos estudantes da sociedade pós-moderna. É claro que em uma sociedade marcada pelas desigualdades como a nossa, esta não é uma condição homogênea e uniforme, mas, um ponto a ser considerado.
A educação à distancia está em expansão por possibilitar a democratização do ensino, permitindo que um maior número de pessoas venha a cursar o ensino superior seja cursos de graduação ou tecnólogos – outra tendência da atualidade. Esta democratização do ensino atende a uma necessidade do mercado que precisa com urgência de pessoal qualificado para as mais diversas áreas de trabalho. O educação à distancia ainda apresenta a vantagem de ser menos onerosa em comparação com a regular.
Este modo de fazer educação exige um perfil específico de aluno e de professor. O ideal é que o professor seja dinâmico, possua domínio de conteúdo, domínio da tecnologia, ou seja, das ferramentas da educação à distância, ser disponível, acessível no ambiente virtual, assumindo a condição de mediador. Do aluno de EaD espera-se que apresente autonomia, disciplina, que possua domínio das ferramentas que fará uso e que seja ativo no processo de aprendizagem.
Um projeto pedagógico de educação à distancia precisa priorizar leituras reflexivas, formas de discussão, integração e socialização dos conhecimentos, das ideias e dúvidas que surgiram a partir destas mesmas leituras. Fundamentalmente serão estas leituras e discussões que auxiliarão os estudantes a atingirem os objetivos traçados.
Além disso, é importante contemplar a interdisciplinaridade e a formação integral do individuo. Metodologicamente é essencial que preveja o uso de instrumentos e atividades diversificadas dentro do ambiente virtual, por exemplo. A plataforma em uso precisa ser um grande fórum de debates, constantemente acessada por todos. É função dos professores manterem este ambiente com uma profusão de ideias, argumentos e debates a partir de questões e propostas que promovam a participação de todos os envolvidos no processo.
Outro aspecto, tratando-se de cursos de graduação e pós-graduação seria a previsão da construção de um banco de monografias, dissertações e teses online para a armazenagem e consulta das monografias produzidas pelos estudantes do curso, já que a publicação de todas em forma de livro, por vezes, é inviável financeiramente. O projeto político pedagógico certamente precisa contemplar a socialização do conhecimento. Assim, reconhecimento como instituição de pesquisa e divulgação cientifica poderia vir a partir da proposta de construir uma revista registrada (ISSN) online.
Assim, como os projetos políticos pedagógicos da educação regular precisam ser constantemente revisados para que possam atender as necessidades presentes e futuras, com os projetos pedagógicos da educação à distancia não é diferente. Há que se estar sempre pesquisando e encontrando melhores maneiras de formar o indivíduo dentro desta modalidade de ensino sem fronteiras.
Referência Bibliográfica
BELLONI, Maria Luiza. Ensaio sobre a educação à distância no Brasil. Educação & Sociedade, ano XXIII, no 78, Abril/2002, p. 117 – 142.
Referência Bibliográfica
BELLONI, Maria Luiza. Ensaio sobre a educação à distância no Brasil. Educação & Sociedade, ano XXIII, no 78, Abril/2002, p. 117 – 142.
19 de julho de 2009
O Cérebro em Transformação

Embora a resenha abaixo esteja relacionada a biologia, o tema nos interesse por tratar-se de uma obra cujo propósito é entendermos melhor nossos adolescentes/educandos. Confira!!
O Cérebro em Transformação
Por Tafnes do Canto
As recentes pesquisas da neurociência têm apresentado resultados esclarecedores sobre o desenvolvimento e o comportamento do ser humano. Dentro destes importantes estudos está a obra de Suzana Herculano-Houzel, “O cérebro em transformação”, publicada em 2005 pela Editora Objetiva. Seu trabalho tem a intenção de informar leigos sobre as aplicações na neurociência à vida cotidiana, tarefa que cumpre com êxito, já que com linguagem simples trás respostas sérias as inquietantes dúvidas a respeito das transformações vividas pelo cérebro do adolescente, um cérebro em transformação – tornando crianças em adultos.
O propósito da autora com a obra é apresentar as mudanças que ocorrem no cérebro na transição da infância para a maturidade e propor que as transformações vividas pelos adolescentes são muito mais da responsabilidade do cérebro do que dos hormônios.
Popularmente, os hormônios são responsáveis por todas as alterações de humor e transformações corpóreas pelas quais os adolescentes passam, porém as pesquisas indicam que os hormônios apenas executam um programa de desenvolvimento que tem inicio pela ação do cérebro. A autora explica que “ainda que as mudanças mais óbvias sejam exibidas no corpo, quem dispara e coordena a adolescência é o cérebro” (HOUZEL, 2005, p. 15)
Para começar, no principio da adolescência o cérebro cresce até atingir o tamanho adulto, na verdade, neste período algumas estruturas se ampliam, enquanto outras reduzem de tamanho, sofrendo reorganizações também de ordem química, o resultado é um amadurecimento funcional do sistema nervoso. As grandes alterações do cérebro, no cotidiano do adolescente, apresentam-se nas mudanças dos gostos, na vulnerabilidade para os vícios, nos transtornos de humor, na variação das vontades e dos desejos.
O mecanismo utilizado pelo cérebro para saber a hora certa de iniciar a transformação é uma proteína chamada Leptina, que comunica ao sistema nervoso o aumento do nível de gordura no organismo - pois o corpo necessita de certo nível de gordura acumulada para dar inicio ao processo. No entanto, não é a Leptina que convence o cérebro, mais precisamente o hipotálamo, a iniciar a puberdade, o fator que promove, realmente, a adolescência ainda é desconhecido, mesmo para os cientistas.
Os hormônios não conduzem o processo de maturação do ser humano, porém desempenham papel especial na puberdade, promovendo a acentuação do dimorfismo sexual, ou seja, as diferenças entre os sexos que estão associadas, também, as diferenças comportamentais entre homens e mulheres.
Somente quando “as regiões pré-frontais do cérebro, que permitem o raciocínio abstrato e o aprendizado social, finalmente amadurecem, e com isso nasce o jovem adulto responsável (...), empático, e bem inserido na sociedade” (HOUZEL, 2005, p. 14).
Elucidando as transformações do cérebro adolescente, Suzana Herculano-Houzel fornece informações que podem ajudar os jovens a compreender o período que vivem, capacitando-os a entenderem-se e aceitarem-se efetivamente. Os pais também são beneficiados, pois com mais conhecimento dos processos neurológicos que seus filhos adolescentes estão sujeitos, são capazes de ajudá-los a viver esta fase, evitando os conflitos familiares.
Referências Bibliográficas
HERCULANO-HOUZEL, Suzana. O Cérebro em Transformação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
Neurociência – Mestrado de Informática Aplicada a Educação. Acesso em 16.jun.2009. Disponível em:
http://www.nce.ufrj.br/ginape/publicacoes/trabalhos/RenatoMaterial/neurociencia.htm
Imagem: Sociedade Brasileira de Neurociência. Disponível em:
http://www.sbneurociencia.com.br/draclaudia/artigo_claudia.htm.
Acesso em 16. Jun.2009.
O Cérebro em Transformação
Por Tafnes do Canto
As recentes pesquisas da neurociência têm apresentado resultados esclarecedores sobre o desenvolvimento e o comportamento do ser humano. Dentro destes importantes estudos está a obra de Suzana Herculano-Houzel, “O cérebro em transformação”, publicada em 2005 pela Editora Objetiva. Seu trabalho tem a intenção de informar leigos sobre as aplicações na neurociência à vida cotidiana, tarefa que cumpre com êxito, já que com linguagem simples trás respostas sérias as inquietantes dúvidas a respeito das transformações vividas pelo cérebro do adolescente, um cérebro em transformação – tornando crianças em adultos.
O propósito da autora com a obra é apresentar as mudanças que ocorrem no cérebro na transição da infância para a maturidade e propor que as transformações vividas pelos adolescentes são muito mais da responsabilidade do cérebro do que dos hormônios.
Popularmente, os hormônios são responsáveis por todas as alterações de humor e transformações corpóreas pelas quais os adolescentes passam, porém as pesquisas indicam que os hormônios apenas executam um programa de desenvolvimento que tem inicio pela ação do cérebro. A autora explica que “ainda que as mudanças mais óbvias sejam exibidas no corpo, quem dispara e coordena a adolescência é o cérebro” (HOUZEL, 2005, p. 15)
Para começar, no principio da adolescência o cérebro cresce até atingir o tamanho adulto, na verdade, neste período algumas estruturas se ampliam, enquanto outras reduzem de tamanho, sofrendo reorganizações também de ordem química, o resultado é um amadurecimento funcional do sistema nervoso. As grandes alterações do cérebro, no cotidiano do adolescente, apresentam-se nas mudanças dos gostos, na vulnerabilidade para os vícios, nos transtornos de humor, na variação das vontades e dos desejos.
O mecanismo utilizado pelo cérebro para saber a hora certa de iniciar a transformação é uma proteína chamada Leptina, que comunica ao sistema nervoso o aumento do nível de gordura no organismo - pois o corpo necessita de certo nível de gordura acumulada para dar inicio ao processo. No entanto, não é a Leptina que convence o cérebro, mais precisamente o hipotálamo, a iniciar a puberdade, o fator que promove, realmente, a adolescência ainda é desconhecido, mesmo para os cientistas.
Os hormônios não conduzem o processo de maturação do ser humano, porém desempenham papel especial na puberdade, promovendo a acentuação do dimorfismo sexual, ou seja, as diferenças entre os sexos que estão associadas, também, as diferenças comportamentais entre homens e mulheres.
Somente quando “as regiões pré-frontais do cérebro, que permitem o raciocínio abstrato e o aprendizado social, finalmente amadurecem, e com isso nasce o jovem adulto responsável (...), empático, e bem inserido na sociedade” (HOUZEL, 2005, p. 14).
Elucidando as transformações do cérebro adolescente, Suzana Herculano-Houzel fornece informações que podem ajudar os jovens a compreender o período que vivem, capacitando-os a entenderem-se e aceitarem-se efetivamente. Os pais também são beneficiados, pois com mais conhecimento dos processos neurológicos que seus filhos adolescentes estão sujeitos, são capazes de ajudá-los a viver esta fase, evitando os conflitos familiares.
Referências Bibliográficas
HERCULANO-HOUZEL, Suzana. O Cérebro em Transformação. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
Neurociência – Mestrado de Informática Aplicada a Educação. Acesso em 16.jun.2009. Disponível em:
http://www.nce.ufrj.br/ginape/publicacoes/trabalhos/RenatoMaterial/neurociencia.htm
Imagem: Sociedade Brasileira de Neurociência. Disponível em:
http://www.sbneurociencia.com.br/draclaudia/artigo_claudia.htm.
Acesso em 16. Jun.2009.
28 de junho de 2009
Patrimônio Histórico e Cultural: Isso aqui é nosso!
Recentemente o conhecido apresentador e jornalista Zeca Camargo realizou uma segunda volta ao mundo, percorrendo desta vez os patrimônios históricos da humanidade. O quadro e o livro, resultados da viagem, foram nomeados de “Isso aqui é seu”, deixando clara a noção de pertence que o conceito de patrimônio carrega. Os bens móveis ou imóveis que possuem um significado na constituição de um povo, de uma comunidade são chamados de patrimônio histórico e cultural por pertencerem a todos e serem da responsabilidade da sociedade por inteiro.
No intuito de levar nossos estudantes a enxergar sua própria história ser contada por locais que são verdadeiros guardiões da memória e com o propósito de que sintam-se como zeladores desse patrimônio é que desenvolvemos o projeto: “Patrimônio Histórico e Cultural: Isso aqui é nosso!”. No contexto deste projeto, alunos da 5ª. Série do Ensino Fundamental do Colégio Adventista de Novo Hamburgo visitaram a Fundação Ernesto Frederico Scheffel - patrimônio histórico e cultural tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul – e agora divulgam sua experiência através desta exposição virtual. Prestigie!
Piano que conta História
A beleza da arte
Aprendendo o valor da arte
Aprendendo o valor do patrimônio
Somos nossa História
Vista da estrura da casa construida em estilo neoclássico
A alegria do saber
No intuito de levar nossos estudantes a enxergar sua própria história ser contada por locais que são verdadeiros guardiões da memória e com o propósito de que sintam-se como zeladores desse patrimônio é que desenvolvemos o projeto: “Patrimônio Histórico e Cultural: Isso aqui é nosso!”. No contexto deste projeto, alunos da 5ª. Série do Ensino Fundamental do Colégio Adventista de Novo Hamburgo visitaram a Fundação Ernesto Frederico Scheffel - patrimônio histórico e cultural tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul – e agora divulgam sua experiência através desta exposição virtual. Prestigie!
PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL: ISSO AQUI É NOSSO!
Piano que conta História
A beleza da arte
Aprendendo o valor da arte
Aprendendo o valor do patrimônio
Somos nossa História
Vista da estrura da casa construida em estilo neoclássico
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