T.C
A civilização ocidental é conhecida por seu legado grego-judaico-cristão, um conjunto de filosofias, teorias e costumes que a constituem.
Especificamente em nossa herança grega estão a medicina, filosofia, política, geometria, aritmética, arte e mesmo a história. Estes conhecimentos foram produzidos ao longo de 400 anos por uma civilização que se distinguiu de suas contemporâneas por sua criatividade e racionalismo.
E aqui, a criatividade vem antes do racionalismo porque com imaginação invejável surgiram na tradição popular os mitos que buscavam explicar o desconhecido. Esta qualidade também pode ser percebida no teatro, com mais de 300 tragédias (das quais, hoje, restam apenas 33) de três tragediógrafos: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. Ainda destaca-se Aristófanes, primeiro autor cômico para palco, que debatia temas da vida pública em suas peças, assim como nós utilizamos a mídia para a mesma finalidade.
O fato é que o ocidente se orgulha de seu legado grego, da democracia que é igual à helena apenas no nome, do culto à razão e ao belo. Sim, talvez o amor ao belo seja inerente ao ser humano, mas em lugares como Atenas e Esparta, importantes cidades-estados da Grécia clássica, este conceito era levado ao extremo. Seja preparando-se para as guerras ou para os jogos, a devoção à beleza ganhou aparência de patologia. Podemos até imaginar aquelas enormes esculturas estabelecendo padrões, como fazem nossas revistas com suas celebridades ostentando uma beleza inatingível, exceto pelo minucioso trabalho digital. Será que é daí que herdamos o costume de excluir o diferente e a fé de que a beleza são aquelas medidas que alguém – Deus sabe quem! – um dia ditou?
Talvez este seja o tempo da “filha da Grécia”, também se orgulhar de ser judaico-cristã, onde o amor ao próximo e a igualdade, ao menos, são um ideal.
Um olhar sensível sobre a História, a Literatura e a Educação constitui a razão de ser (é isso que significa Ratio Essendi) deste blog, que busca trazer além da opinião de autores conceituados, através de textos selecionados, as idéias daqueles que julgam ter muito a aprender e por isso procuram a cada dia construir conhecimentos sólidos nestes ramos do saber. Contato: liege_o@yahoo.com.br tafnecanto@yahoo.com.br
4 de fevereiro de 2007
2 de fevereiro de 2007
Música Como Fonte Histórica
Canções populares podem iluminar pontos obscuros da historiografia
O uso de canções populares como fonte histórica permaneceu por muito tempo no esquecimento, ou mesmo no descrédito do meio acadêmico. Em um artigo chamado “História e música: canção popular e conhecimento histórico”, o autor José Geraldo Vinci de Moraes apresenta como as relações multidisciplinares entre história, cultura e música podem divulgar processos pouco conhecidos e raramente apontados pela historiografia. É notório que a música é uma fonte subjetiva, porém este fator foi superado por historiadores durante a “revolução documental”, que aceitou a avaliação e o uso de documentos das mais variadas naturezas.
Moraes explica que, a música é uma expressão artística com vasto poder de comunicação e que as canções populares, desta maneira, ilustram o cotidiano dos segmentos subalternos, constituindo-se de um importante instrumento para pesquisar a história das camadas populares. As canções estão intimamente conectadas as relações humanas, sejam elas individuais ou coletivas. Exemplos clássicos da música nas relações humanas são os cantos rituais nas sociedades primitivas, os hinos nas mais distintas religiões ou mesmo as canções entoadas por agricultores no campo, como as que originaram o blues na América do Norte.
Assim, as canções populares “se manifestam como experiência histórica” acrescenta o autor, que conclui que as músicas podem, sim, iluminar pontos obscuros, especialmente da história contemporânea, que imaginava-se impossível de trazer à luz.
Tafnes do Canto
Bibliografia
MORAES, José Geraldo Vinci de. História e música: canção popular e conhecimento histórico. Rev. bras. Hist. v.20 n.39 São Paulo 2000. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882000000100009&lng=pt&nrm=iso.htm&tlng=pt . Acessado em 30.jan. 2007.
Moraes explica que, a música é uma expressão artística com vasto poder de comunicação e que as canções populares, desta maneira, ilustram o cotidiano dos segmentos subalternos, constituindo-se de um importante instrumento para pesquisar a história das camadas populares. As canções estão intimamente conectadas as relações humanas, sejam elas individuais ou coletivas. Exemplos clássicos da música nas relações humanas são os cantos rituais nas sociedades primitivas, os hinos nas mais distintas religiões ou mesmo as canções entoadas por agricultores no campo, como as que originaram o blues na América do Norte.
Assim, as canções populares “se manifestam como experiência histórica” acrescenta o autor, que conclui que as músicas podem, sim, iluminar pontos obscuros, especialmente da história contemporânea, que imaginava-se impossível de trazer à luz.
Tafnes do Canto
Bibliografia
MORAES, José Geraldo Vinci de. História e música: canção popular e conhecimento histórico. Rev. bras. Hist. v.20 n.39 São Paulo 2000. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882000000100009&lng=pt&nrm=iso.htm&tlng=pt . Acessado em 30.jan. 2007.
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